Mães dizem que piscina de academia onde professora morreu causava problemas respiratórios em crianças desde 2024

  • 09/02/2026
(Foto: Reprodução)
Morte na piscina de academia na zona leste Mães de alunos da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, afirmam que a unidade já apresentava problemas na piscina desde abril de 2024, com excesso de produtos químicos na água. O local é o mesmo onde uma professora morreu após utilizar a piscina neste final de semana. Fabiana Borges, mãe de uma ex-aluna da academia, relata que chegou a registrar uma reclamação na administração da C4 Gym à época. Segundo ela, a queixa foi feita depois que a filha teve uma crise intensa de tosse após participar de uma aula na piscina. “Foram várias [crises] e, mesmo após tomar banho, ela ficava com cheiro de cloro no corpo. Teve um episódio que ela veio, entrou na piscina e - quando saiu - o maiô dela tava totalmente desbotado”, contou Fabiana. “Teve outro dia que [o cheiro] estava insuportável, porque a piscina infantil é do lado da adulta. Tava um cheiro muito forte de um produto químico, parecendo meio ácido. Até o professor que tava dando aula falou que o cheiro tava estranho. Eu falei: ‘tá bastante, né?!’ Ela começou a tossir. Eu pedi para ela para parar a aula e tirei ela da aula’, afirmou a mãe da criança. Fabiana Borges e Ionice Lucindo tinham filhos matriculados na natação da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Ionice Lucindo é mãe de uma outra criança que também teve que sair da aula de natação da academia do Parque São Lucas, em razão de problemas de bronquiolite que se agravou durante as aulas na unidade. “Ele tossia, tossia e vomitava. Teve um dia que falei: ‘professora, o que vocês põem na água? Porque ele devia estar melhorando [da doença] e tá piorando’. Ela falou que era cloro e ozônio. Era um cheiro muito forte, muito forte mesmo. Que penetrava e dava alergia na criança. E aí eu tive que tirar, porque senão ele ia morrer e eu tinha que pegar ele levar no médico, porque atacava a bronquite’, contou Ionice. Fabiana Borges afirmou que tirou a menina da aula de natação da academia e a administração da unidade admitiu em e-mail que tratava a água com ozônio e uma quantidade mínima de cloro. Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após problemas respiratórios ocasionados depois do uso da piscina da academia C4 Gym. Marido dela, Vinícius de Oliveira, também está internado em estado grave. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Segundo a mãe da criança, no dia em que ela sentiu o cheiro forte vindo da água, era porque a academia tinha tido um problema na máquina de ozônio, que foi reparado e, segundo a gerência, voltou a operar normalmente. A Ionice Lucindo contou que, após tirar a filha da aula de natação da academia por conta da qualidade da água, não teve o dinheiro do plano anual devolvido pela C4 Gym. O advogado da academia não quis gravar entrevista. Por meio de nota, a C4 Gym lamentou o ocorrido e disse que prestou atendimento imediato a todos os envolvidos. A empresa também afirmou que mantém contato e oferece suporte as pessoas envolvidas e que colabora integralmente com as autoridades. “Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades”, disse a empresa. Polícia investiga morte de mulher após nadar em piscina de academia em São Paulo Investigação da polícia O delegado que conduz a investigação sobre a morte da professora que passou mal e morreu após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo afirmou no domingo (8) que o manobrista da empresa era o responsável pela manutenção da piscina do espaço. Segundo Alexandre Bento, titular do 42° Distrito Policial, a suspeita da polícia é que houve uma mistura de produtos químicos que acabou causando uma reação química e liberou gases no ambiente, intoxicando os alunos da academia. Manobrista fazia a manutenção de piscina onde professora morreu em SP, diz polícia “Esse gás tóxico provocou asfixia nas pessoas que ali estavam, via a queima das vias aéreas, gerando bolhas no pulmão das vítimas. Nós estamos tentando entender direitinho qual foi o produto que foi usado e qual a proporção da mistura”, explicou Bento (veja vídeo acima). “A grande dificuldade foi que não houve colaboração nenhuma da empresa. Como os empresários não apareceram e não deram satisfação, a gente não consegue entender [a mistura que foi feita]. Não localizamos o manobrista que seria responsável pela lavagem da piscina, seria a pessoa que faz a mistura dos produtos”, completou. Segundo ele, a polícia ainda tentava localizar o funcionário. “A gente está tentando localizar esse manobrista limpador de piscina para identificar os produtos que ele utilizou e a proporção desses produtos", afirmou. A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, que morreu na Zona Leste de SP após usar piscina de academia. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Ele acrescentou ainda que se trata de uma "situação bem grave e delicada, tanto que o local está interditado pela Vigilância Sanitária". Os bombeiros e os profissionais entraram no local com equipamentos de proteção. Foram abertas todas as janelas para dissipar os gazes, mas é cedo ainda para dizer o que causou essa intoxicação”, disse. Por meio de nota, a Subprefeitura Vila Prudente disse que interditou, preventivamente, a academia C4 Gym, no Parque São Lucas, “devido às irregularidades encontradas como: existência de dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço, não possuir o Auto de Licença de Funcionamento e constatada situação precária de segurança." LEIA MAIS: Mulher que morreu após nadar em piscina de academia era professora e fazia aulas de natação com o marido havia quase um ano 'Justiça precisa ser feita para não acontecer com mais ninguém', diz pai de professora morta em piscina de academia da Zona Leste de SP Lamento da família ‘Justiça precisa ser feita para não acontecer mais’, diz pai de professora morta em piscina de SP O pai da professora morta, Ângelo Augusto Bassetto, pediu justiça rigorosa no caso. Muito abalado com a morte da filha, ele afirmou que a família está profundamente triste e só quer que o caso não se repita em São Paulo. Essa justiça deve ser feita não para termos de valor - a gente não quer saber de nada, nada - é para não acontecer com mais ninguém, com ninguém. Porque o que aconteceu aí pode acontecer futuramente com alguém... Pelo que fiquei sabendo, [usaram] ozônio, que é muito forte dependendo da quantidade e dosagem. Ângelo Augusto Bassetto é pai da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. Reprodução/TV Globo Muito emocionado e em lágrimas, ele lamentava a morte: "Eu não tenho o que falar, porque tudo que vejo na minha casa eu vejo ela... meu filho é o único que está se segurando. Porque eu e a minha esposa... eu não consigo... tá me doendo tanto...". Em entrevista à TV Globo, Ângelo Bassetto contou que chegou a ver a filha ainda viva no hospital, mas que ela respirava com muita dificuldade. O quadro de saúde dela se agravou e evoluiu para parada cardíaca. Segundo o pai, a médica que atendeu Juliana e o marido dela, Vinicius de Oliveira, contou que o produto químico usado na academia foi para parte do pulmão da professora. “O Vinícius disse que, quando ele pulou, já sentiu o pulmão. Quando ele subiu, tentou avisar a Juliana, mas ela já tinha pulado e já levantou muito mal. A médica do hospital disse que ela estava com muita água no pulmão. Queimou muito ela por dentro o produto”, afirmou o pai. Polícia investiga morte de mulher após nadar em piscina de academia em SP O caso ocorreu no sábado (7). Juliana e Vinícius estavam na aula, como de costume, quando notaram que a água da piscina apresentava odor e gosto anormais. Como se sentiram mal, eles comunicaram o professor responsável e todos os alunos se retiraram do local. As causas da morte de Juliana ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil de São Paulo, que apreendeu amostras da água da piscina da academia C4 Gym e os produtos químicos usados na unidade. O marido de Juliana também está internado em estado grave e foi entubado. Um outro adolescente de 14 anos também está hospitalizado após usar a mesma piscina. Outras duas pessoas também receberam atendimento médico e foram liberadas. O velório de Juliana estava previsto para esta segunda às 8h no Velório Avelino, no Jardim Avelino, em São Paulo. O enterro está marcado para 14h no Cemitério Quarta Parada. Parentes relataram à TV Globo que Juliana e Vinícius se casaram em dezembro de 2024, tinham acabado de comprar um apartamento e faziam planos para ter filhos. A família também contou que ela era apaixonada por ioga e fazia parte de uma comunidade espírita. O que diz a academia Comunicado da academia C4 Gym após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. Reprodução/Instagram Por meio de nota, a academia afirmou que “assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompeu imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes”. A academia C4 Gym também disse que, “em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, permanecerão fechadas nesta segunda-feira (9)”. Suspeita de intoxicação Juliana e o marido Vinícius Arquivo Pessoal A academia C4 Gym não tinha alvará de funcionamento e foi interditada pela Vigilância Sanitária, informou a Polícia Civil. (veja mais abaixo). A investigação aponta possível intoxicação por inalar produtos químicos que estavam na área da piscina. Contudo, também não descarta a possibilidade de que havia produto na água. "No momento, temos uma vítima em óbito, o esposo dela em estado grave hospitalizado, um adolescente que está na UTI e duas vítimas que tiveram alta. Pelo apurado inicialmente pela perícia, houve uma reação quimica lá provavelmente com os produtos utilizados pela limpeza da piscina que intoxicou todo o ar e gerou envenenamento dessas pessoas", afirmou o delegado Alexandre Bento, do 42º DP. Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após nadar em piscina de academia TV Globo/Arquivo Pessoal "Estamos aguardando a liberação do espaço para saber que produtos foram utilizados para a gente conseguir entender como se deram a dinâmica dos fatos. Estamos tentando localizar os responsáveis, o professor que estava dando aula. Testemunhas disseram que quem fazia a mistura dos produtos era o manobrista", ressaltou o delegado. Ainda conforme o delegado, os responsáveis pelo estabelecimento fecharam o local após o acidente e não informaram a polícia. "Soubemos só quando houve a morte da Juliana. Queremos entender, já que a academia fica em frente a uma delegacia. Tanto que para entrarmos e fazer a perícia tivemos que arrombar o local", disse o delegado. Produtos de limpeza foram encontrados na área da piscina TV Globo O que diz a Secretaria da Segurança Pública "O caso é investigado pelo 42° Distrito Policial (Parque São Lucas) que foi notificado, até o momento, de cinco vítimas - sendo uma fatal. Após o trabalho da perícia e da Vigilância Sanitária, agentes da unidade policial realizaram diligências no local e apreenderam objetos para a apuração. As investigações prosseguem para o total esclarecimento dos fatos". Bombeiros durante perícia na academia na Zona Leste de São Paulo TV Globo Academia da Zona Leste de SP onde mulher morreu após nadar em piscina não tinha alvará e foi interditada neste domingo (8) TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/09/maes-dizem-que-piscina-de-academia-onde-professora-morreu-causava-problemas-respiratorios-em-criancas-desde-2024.ghtml


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